Entrevistámos Quim Rabassa

Uma mente maravilhosa. Sei que tenho um encontro marcado com um dos titãs da criatividade do setor hoteleiro. Por trás do sorriso animado de um rapaz que veste ténis, calças chino e t-shirt, esconde-se um monstro naquilo que faz — e isto não é intuição nem exagero, eu sei.

Quim Rabassa e Pere Maymi

A combinação de criatividade, paixão pela inovação, precisão de cálculo e perfeccionismo levou Quim Rabassa, diretor criativo e comercial da Skybubbles, a revolucionar o mundo das experiências de alojamento. A partir de Santa Coloma de Farners, uma pequena localidade situada entre Girona e Barcelona, as SKB são criadas e distribuídas para todo o mundo. De Espanha ao México ou às Maldivas, as SKB vieram para ficar, e será cada vez mais comum encontrá-las no nosso panorama de lazer turístico.

Pere. O que fazem dois irmãos especialistas em arquitetura insuflável no mundo do alojamento?

Quim. Há dias em que eu próprio procuro essa resposta, ahah. Vimos de uma empresa com mais de 20 anos de experiência em arquitetura insuflável; nessa altura, os nossos clientes pediam-nos peças personalizadas para os seus congressos, eventos ou publicidade. Começámos a receber, de um cliente belga, encomendas de bolhas destinadas a alojamentos em parques de campismo e resorts, basicamente em França e na Bélgica. Nessa altura eram muito simples, e vimos claramente a possibilidade de elevar esse conceito a um produto muito mais exclusivo, sólido e de qualidade. Daí surgiu a ideia.

“Um espaço que permite ao hóspede viver uma experiência única através da comunhão entre natureza e conforto.”

P. E o que aconteceu ao cliente?
Q. Convidámo-lo a juntar-se a nós, mas ele preferiu continuar a fazer o que fazia, por isso avançámos convictos e, obviamente, perdemos o cliente, ahah.

P. O que é uma Skybubble?
Q. Conceptualmente, é um espaço que permite ao hóspede viver uma experiência única através da comunhão entre natureza e conforto. São quartos de gama alta em serviços e acabamentos, cobertos por uma bolha transparente e isolante que permite contemplar a 360 graus tudo o que acontece enquanto se está lá dentro.

P. É um daqueles produtos que se compreende visualmente de imediato, mas que não é fácil de explicar a quem nunca viu um.
Q. Exato. Por isso temos trabalhado para conseguir explicar com clareza, de forma concisa e por palavras, aquilo que fazemos. O que lhe respondi não é fruto do acaso; resulta de um trabalho de conceptualização e de alinhamento com toda a nossa equipa e colaboradores, diretos e indiretos. Ainda assim, neste caso, a imagem será sempre a imagem.

Quim Rabassa e Pere Maymi

P. Vejo o vosso produto, vejo como fala… Sente-se a inovação em todo o espaço. Estou enganado?
Q. A inovação é um dos nossos valores centrais; não há dia em que não pensemos em como melhorar o nosso produto, nem dia em que não pensemos em como melhorar a experiência do nosso cliente. É uma forma de viver o que fazemos: inovação e perfeccionismo. Sabemos o que nos é exigido, e perseguimo-lo e alcançamo-lo.

P. Quando fala em cliente, refere-se a quem reserva e fica alojado numa SKB?
Q. Não! Esse é o utilizador das SKB, é o cliente do nosso cliente. O nosso cliente é quem decide apostar nas SKB como negócio.

P. De que perfil estamos a falar?
Q. Temos dois perfis claramente definidos: por um lado, empreendedores com experiência comprovada no mundo da hotelaria que querem começar o seu próprio projeto e, por outro, diretores de hotéis de gama alta que procuram surpreender os seus clientes e diferenciar-se da concorrência.

“Estamos mais próximos da arte, do design e da manufatura do que da replicabilidade mecânica.”

P. O motivo da compra é diferenciar-se?

Q. Se fosse só para se diferenciarem, o nosso modelo de negócio não funcionaria e as SKB seriam apenas mais um produto daquilo que já fazíamos antes. Acho que, hoje em dia, um produto diferente não basta para consolidar uma estratégia de negócio. Que o produto seja bom é o mínimo que qualquer pessoa espera ao comprar um produto ou serviço.

P. Então, quais acha que são as razões pelas quais um dos seus clientes decide avançar convosco?
Q. Há três razões-chave. A primeira é o tempo: desde que se encomenda uma SKB até se poder comercializá-la, podem passar apenas alguns meses, se tudo estiver bem organizado, o que não tem comparação com nenhum outro tipo de alojamento. A segunda é o retorno: o alojamento numa SKB é comercializado, em média, entre 100% e 300% acima do valor de um quarto em qualquer hotel de 4 estrelas. A terceira é a ocupação: as SKB têm uma taxa de ocupação de 90%. Temos clientes com reservas para vários meses.

P. Parece ótimo, estudaram bem isto!
Q. Se não estudar o seu modelo de negócio, não tem um negócio. No nosso caso, de nada serve ter clientes se depois aquilo que fazemos não funcionar para eles — por isso é uma parte fundamental do nosso negócio.

P. E todas as SKB são iguais?
Q. Temos 4 modelos, de acordo com as necessidades que nos são apresentadas:
A Suite, que é o nosso produto principal e a que mais comercializamos; a Premium, que é um upgrade da Suite em termos de espaço e comodidades; a Family and Friends, em que uma única Bubble pode alojar até 4 pessoas, com duas casas de banho independentes; e, por fim, a Start. Esta última é uma homenagem — é o primeiro modelo que começámos a comercializar e atualmente serve para criar espaços únicos e diferentes para hotéis e resorts (jantares, leitura, jogos, etc.); é uma sala, não tem quarto nem casa de banho independente.

Quim Rabassa e Pere Maymi

P. E quando pensa no futuro, o que vê?

Q. Vejo as SKB por todo o mundo; a nossa missão é encontrar pessoas que vejam no nosso produto uma forma de entender um projeto para além da sua rentabilidade. A rentabilidade e o sucesso são consequências, não objetivos, e vemos isso nos clientes que apostaram e continuam a apostar nas SKB — nada nos orgulha mais do que vê-los tornarem-se referências nas suas regiões. As SKB transcendem o local; vejo-as como um fenómeno global.

“Não se trata de crescer, trata-se de saber crescer.”

P. E replicável….
Q. Claro, e também temos de pensar nisso — não só em crescer, mas em sermos capazes de o fazer de forma sustentável ao longo do tempo, sem esquecer a inovação, a qualidade e o nível de detalhe que queremos para cada uma das nossas SKB. Acredite, não é um desafio pequeno; não se trata de crescer, trata-se de saber crescer.

P. Eu tinha um professor que dizia que aquilo que não cresce morre…
Q. De acordo, mas sem nunca esquecer as premissas com as quais uma empresa conseguiu crescer. Não somos, nem pretendemos ser, uma startup; estamos mais próximos da arte, do design e da manufatura do que da replicabilidade mecânica.

P. Quim, ouço-o e penso que não há volta atrás, a sua convicção é total e isso
é o primeiro passo para conquistar grandes coisas.

Q. Então vamos atrás delas!