Entrevistámos César Martinez
“a vida ensina que trabalhar com pessoas com quem temos afinidade não é só rentável, mas também interessante”
Como é que um bombeiro florestal acaba no mundo das Cúpulas Geodésicas e das Skybubbles?
Bem, começa em 2015. Apesar do meu trabalho anterior, sempre fui do tipo que gostava de fazer coisas; isso vem de herança, gosto de fazer, montar e desmontar, é tradição de família. A isso juntou-se o facto de já ter visto o conceito das figuras geodésicas e de ter ficado encantado.
Certo, mas gostar é uma coisa — todos gostamos de atividades e projetos —, mas daí a atirar-se de cabeça vai um grande salto…
No meu caso foi simples: vi um curso na internet de um rapaz do Uruguai que explicava como criar e montar Cúpulas, percebi que conseguiria fazer aquilo e pus um anúncio no “Mil Anuncios” a oferecer a possibilidade de montar Geodésicas em qualquer lugar.
E…
O David ligou-me.
O seu sócio.
Sim, ele tinha precisamente uma oportunidade de fazer uma montagem em Marrocos; era uma encomenda muito grande e ia precisar de alguém para o ajudar. Ligou-me, explicou-me o projeto e fui logo ter com ele para fechar o projeto e ir para lá.
Claro, porque o senhor está em Múrcia, mas o David não.
O David está na Catalunha, mas a distância nunca foi um problema. Na verdade, durante o projeto de Marrocos já vimos que nos dávamos bem e pouco depois tornámo-nos sócios.
E como foram os primeiros tempos da Dalia Dome?
Bem, no início não foi fácil, porque conceptualmente as pessoas não entendiam o que fazíamos; associavam-no a uma figura esférica e ligavam-no muito a um ambiente mais espiritual, até hippie. Mas com o tempo as cúpulas foram-se tornando conhecidas e o tipo de cliente tornou-se mais diverso.
Estou a ouvi-lo e não estou a perceber. Então são concorrentes das Skybubbles?
Não! Não é a mesma coisa; a cúpula geodésica é um conceito aberto com o qual se fazem muitas outras coisas, de tamanhos diversos, que não têm necessariamente de ser quartos. Na verdade, são conceitos complementares que podem conviver num mesmo espaço.
E de onde vem a relação com as SkyBubbles?
O David conheceu o Quim precisamente no projeto de Marrocos, já que era ele quem projetava e fabricava as coberturas das cúpulas que instalávamos. Nessa altura a Skybubbles ainda era um projeto, mas houve uma ligação com o Quim; a vida ensina que trabalhar com pessoas com quem temos afinidade não é só rentável, mas também interessante. Pouco tempo depois, o Quim contactou-nos para ver se tínhamos interesse em montar um projeto de Skybubbles em Ciudad Real; entendemo-nos e lá fomos!
E…
Foi um desastre, ahah. Não pela perceção do cliente — que fique claro que ficou super contente!
Então?
Gastámos tempo demais; obviamente ainda não tínhamos prática na montagem e demorámos muito mais do que pensávamos na altura. Além disso, deu-nos mais do que uma dor de cabeça, mas no final tudo correu bem!
É destas experiências que se aprende!
E de que maneira! Desse mesmo projeto já voltámos com ideias para otimizar a montagem, reduzir o tempo e sermos muito mais eficientes.
Ou seja, apesar das complicações, gostaram do assunto.
Muito; víamos soluções e, porque não dizê-lo, depressa percebemos que montar as Skybubbles nos permitia viajar e descobrir lugares novos. Através das Skybubbles fomos a lugares como a Tailândia ou a Austrália, e além disso os locais onde se instalam os quartos costumam ser exclusivos.
Ir a Soria já é bom, mas ir à Austrália tem um quê especial, ahah
Sim, quando se faz este tipo de viagem, já se organiza tudo para, depois de montar as Skybubbles, poder ficar mais um dia para fazer turismo.
Calculo que, com o tempo, a montagem se profissionalizou e foram implementando processos que, depois de 6 anos, ficaram estabelecidos e aperfeiçoados, certo?
Exatamente; são 7 passos que consigo dizer de memória. Primeiro conhecemos o cliente; segundo, inspecionamos o terreno; depois, tiramos as SKB das capas em que vêm e posicionamo-las; quarto, montamos as portas e trabalhamos com a turbina que vai manter a estrutura insuflada e estável; quinto, ancoramos e instalamos o ar condicionado; sexto, explicamos e damos as instruções de manutenção das Skybubbles a quem vai cuidar delas; e sétimo e último ponto, a checklist com o cliente — aí não escapa nem o último parafuso!
Caramba! Nota-se aí os 6 anos a montar Skybubbles.
Sim, já sabemos isto de cor, e na nossa forma de fazer e de pensar está sempre implementar melhorias para sermos mais eficientes, que é um dos fatores que nos une ao pessoal da Skybubbles.
Como vê, enquanto fornecedor, o futuro das Skybubbles?
Claramente em ascensão! Primeiro, e principalmente, porque de todas as que já montámos não há nenhuma que esteja a correr mal; pelo contrário, vê-se que todas estão a ampliar! Essa é a melhor prova de que as Skybubbles funcionam. Além disso, as Skybubbles são um elemento diferenciador e atrativo que hoje em dia é uma novidade para quem procura uma experiência diferente. Sou dos que acham que o caminho é incontestável.
Muito obrigado, César!
Eu é que agradeço!
